21.12.04

A Fábula da Luz

Um anjo nasce, mas num mundo diferente.
O mundo desse anjo era absolutamente escuro, negro. Ter ou não olhos nesse lugar nada significava.
Acostumado a escuridão e nunca tendo visto um resquício de luz, o ser passou anos sem saber o que era, nem se estava acompanhado. Se existia outro coração naquele lugar.
Certo dia ele encontrou algo. Era um objeto pequeno quadrado, uma caixa.
Após um tempo tentando abrir essa caixa, ele sentiu uma mão delicada, pequena e carinhosa junto a sua. – Me deixe te ajudar. Escutou o anjo, assustado com a pequenez daquelas mãos e com a suavidade da voz, que enchia seu coração de um sentimento diferente. Mas muito mais forte que ele.
Quando aquela caixinha finalmente se abriu, um minúsculo vaga-lume fugiu do seu interior. Esse ser iluminado iluminou o rosto do anjo e de sua companhia, que se revelou uma linda anjinha, de cabelos de onde fugiam os raios de um Sol que ele nunca virá e olhos claros como a água de um lago - Você é linda. Foram as únicas palavras que o espanto do anjo permitiu à ele pronunciar. Ela, envergonhada diante de um igual a ela, mas muito maior e forte somente conseguiu dizer – Obrigado, doce Arcanjo.
E juntos eles passearam sempre seguidos pelo vaga-lume que iluminava seus corpos e seus rostos, no momento em que o vaga-lume se adormecia e sua luz se transformava numa pequena penumbra eles se amavam da forma mais pura que se permitem, fervendo seus corpos, e deleitando suas almas.
O Arcanjo, grande e poderoso encontrava a paz e a felicidade junto com ela. A Anjinha, delicada e suave encontrava carinho e proteção nos braços dele. Durante tempos ele percebeu que a força que ele possuía não era nada perante o toque dela em seu rosto, ela era muito mais poderosa que ele jamais sonharia. E ela percebeu que sua mão feita para uma batalha que talvez nunca exista podia fazê-la sentir arrepios de satisfação em carinhos doces e demorados.
O tempo passou rápido e eles tinham milhares de boas lembranças e de boas imagens. Mas aquilo que os dois temia aconteceu, o pequeno vaga-lume, companheiro inseparável do amor mais puro que existiu, morreu, e sua luz se extinguiu, para sempre.
O Arcanjo gritava seu nome, implorava para que ela o encontrasse, para que ela lhe desse um sinal. Mas nada aconteceu. E o Arcanjo, mesmo tendo um corpo poderoso, invencível morreu, junto com a luz, de seu pequeno companheiro.

E você, se vivesse em um mundo de pura escuridão e encontrasse uma única pessoa para amar, conseguiria esquecer seu rosto, conseguiria não chora em desespero por perder o amo mais puro que existiu?

Rafael está muito irritado, pois não foi abençoado com a capacidade humana de esquecer. Por isso tenta a todo custo acostumar seu coração, a dor.
Que 2005 seja um ano em que o vaga-lume de cada um de meus amigos brilhe cada vez mais forte.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Bá:

Novamente: viver sem nunca ter vivenciado tal experiência ou viver vivenciando toda e qualquer?
Vivenciar ao máximo ou muitas aos poucos?

.... tem um carinha me riscando e me apurrinhando... jaja eu volto.

23 de dezembro de 2004 11:55  

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